domingo, 13 de setembro de 2009

Afogando em Jogos



Afogando em Números (Drowning by Numbers) - 1988
Inglaterra / Holanda






Diretor - Peter Greenaway
Elenco - Joan Plowright, Juliet Stevenson, Joely Richardson, Bernard Hill, Jason Edwards, Bryan Pringle


Site: IMDB


Três mulheres - mãe, filha e neta - descontentes com os seus casamentos afogam os seus respectivos maridos, mas tem os seus crimes encobertos por um magistrado apaixonado pelas três mulheres. Mas, os crimes são descobertos e a única saída para os quatro é fugir em um bote, mas um deles não sabe nadar ...


Por que gostar desse filme?


Os grandes diretores imprimem suas "marcas" nos seus filmes, tornando-os inconfundíveis. Com certeza Peter Greenaway é um deles e Afogando em Números é um excelente exemplo disso.
A "marca" Peter Greenaway, algumas vezes, torna o filme um tanto difícil de acompanhar, mas é inegável que ele tem muito estilo. Não sou daqueles fãs de toda a obra desse diretor, mas alguns deles posso classificar como primorosos e entram, fácil, fácil, na minha lista de melhores que já assisti.
Greenaway além de cineasta é artista plástico e procura trazer para os seus filmes a experiência dele nessa arte. Alguns filmes funcionam como obras de vídeo-arte, principalmente na sua fase mais atual, onde ele procura apresentar uma mescla de meios para apresentar a mensagem do filme. Realmente, algumas vezes isso leva à saturação de símbolos, mas em outras ele acerta a mão e temos filmes muito interessantes.
Mesmo assim, nem sempre os símbolos são fáceis de decodificar.
Afogando em Números apresenta alguns elementos que podem ser encontrados em vários filmes do diretor:
  • Uso intensivo do jogo entre luz e sombra;
  • Composição das cenas como se fossem quadros (observe nesse filme a abundância de detalhes que podem ser vistos na maioria das cenas, é possível "pausar" o filme e ficar analisando a cena);
  • A magistral trilha sonora de Michael Nyman, colaborador constante do diretor;
  • A apresentação de corpos nús com uma naturalidade impressionante. Realmente o diretor não apresenta nenhum receio em apresentar as pessoas nuas em seus filmes. Não é exploração do nu de forma apelativa, mas sim, de nos fazer confrontar com algo absolutamente natural: por baixo de nossas roupas, todos estamos nús;
  • A recorrência de cenas apresentando matéria em decomposição. Podem ser frutas, animais mortos ou mesmo seres humanos. É a decomposição da sociedade.
Por tudo isso é possível perceber que entrar no mundo dos filmes de Greenaway não é uma tarefa fácil. É preciso estar preparado para saborear um prato requintado, mas com sabor diferente do que normalmente experimentamos. Concordo que não é saboroso sempre, mas com certeza é bem diferente. Sempre é uma experiência muito interessante.


Três Mulheres


O filme apresenta três gerações de mulheres de uma mesma família que possuem o mesmo nome (Cissie Colpitts), que compartilham o mesmo descontentamento com os seus casamentos e que lançam mão do mesmo expediente para resolver os seus problemas conjugais: o assassinato.
Em momento diferentes do enredo, elas matam seus maridos afogados (na banheira, na piscina e no mar).
Para que não sejam apanhadas pelas autoridades, se aproveitam da paixão que o magistrado local (que investiga os crimes) nutre pelas três e prometem favores sexuais em troca da impunidade. Promessas essas, que nunca são cumpridas!
Os homens desse filme são completamente subjugados por essas três mulheres. São pessoas sem nenhum brilho, completamente estúpidos. Quase somos levados a crer que mereceram o seu destino e quase começamos a torcer para que elas escapem impunes! Talvez a única exceção seja o magistrado. Não que seja brilhante, mas pelo menos conseguimos torcer por um destino melhor para ele...







Curiosidade: no papel do magistrado temos, bem mais novo, o ator Bernard Hill, que pode ser visto como o rei Theoden de O Senhor dos Anéis.


O magistrado encobre as evidências que incriminam as mulheres, mas sua situação vai se complicando cada vez mais, perante os moradores da região. Quando são desmascarados, o que acontece após um dos tantos jogos que são apresentados ao longo do filme, os quatro fogem para o mar, a bordo de um barco a remos. Mas o magistrado não sabe nadar ....


Jogos e mais Jogos





O aspecto mais interessante do filme é a questão dos jogos. Acredito mesmo, que o filme todo possa ser visto como um grande jogo, no qual somos convidados a assistir e até a participar.
Em primeiro lugar é entrar no jogo do cineasta e apreciar o apuro visual com que são apresentadas as cenas. Como já disse, a composição das cenas é algo realmente incrível, com vários detalhes a serem observados.
Em segundo lugar, existem os jogos que são apresentados no filme pelo filho do magistrado. Smut é fanático por jogos e vai nos apresentando os jogos mais estranhos que o cinema já mostrou (e acho que fora dele também).
Esses jogos apresentam ecos com o que acontece no enredo, em alguns casos, com papel fundamental para o enredo, como no caso dos dois jogos finais: o cabo de guerra entre os moradores da região e os "suspeitos" e o jogo final de Smut. Jogo final mesmo.
Além disso, o diretor nos convida a participar de um jogo também. Isso mesmo, nós espectadores também podemos jogar!
Ao longo do filme vão sendo apresentados números de 1 até 100 (na sequência). Mas esses números são apresentados nos lugares mais inusitados, inclusive em peixes que foram pescados!
Com o passar do tempo, começamos a nos preocupar em encontrar onde o número aparecerá. É muito interessante.
Com isso, o espectador vai acompanhando o desenvolvimento da história e percebendo quando ela está rumando para o final. Obviamente com o número 100 na tela e obviamente em uma cena que envolve, as três Cissies, o magistrado (que não sabe nadar), muita água, um barco com o número 100 estampado no casco e uma morte...
O filme mostra que na vida, como em um jogo, nem sempre quem merece ganhar é aquele que ganha. Pior, na vida normalmente os inocentes são aqueles que perdem. E nesse filme é exatamente isso que acontece.


Curiosidade: Na época do lançamento do filme, li em uma revista italiana que um dos números da sequência de 1 até 100 não é mostrado. Não me lembro qual é.


Vale a pena entrar nesses jogos e assistir a esse filme incrível. É um filme para ser, principalmente, visto e apreciado, como toda boa obra de arte visual.
Pena que ainda não tenha sido lançado no mercado de DVD.





Cenas Inesquecíveis

  • A princípio, qualquer cena do filme, pela qualidade da composição visual das mesmas. É um filme belíssimo, mesmo quando mostra morte e destruição.
  • A menina pulando corda e contando até cem (prenunciando o jogo com o espectador). Além de contar, a cada pulo ela diz o nome de uma estrela! O mais incrível é que não se percebem cortes nessa cena!!
  • O jogo do cabo de guerra quase no final do filme. É o "julgamento" dos suspeitos. O "sentença" depende do resultado do jogo.
  • O último jogo (literalmente) apresentado e jogado por Smut. Se não tiver nome, poderíamos chamar de "Jogo do Enforcado". Para se ter uma idéia, observe a descrição que Smut faz desse jogo: "O objetivo desse jogo é saltar com uma corda no pescoço de um local suficientemente alto, para enforcar-se ao cair. O objetivo desse jogo é punir aqueles que causaram grande infelicidade com suas ações egoístas. Esse é o melhor jogo de todos, porque o vencedor é também o perdedor, e a decisão do juiz não admite apelação." Uau ... precisa dizer mais alguma coisa?



Lord of the Reel

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Ficção Científica com "F" Maiúsculo

2001: Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odissey) - 1968
Inglaterra / EUA




Diretor: Stanley Kubrick
Elenco: Keir Dullea, Gary Lockwood, William Sylvester, Douglas Rain


Sites: IMDB


O alvorecer na humanidade. Nossos ancestrais aprendem a usar ferramentas para caçar e se defender. Um misterioso monólito negro está presente. Em 2001, o misterioso monólito surge novamente na Lua e uma missão é enviada para Júpiter para verificar sinais enviados da Lua para aquele planeta, aparentemente pelo monólito. Durante a missão, o computador de bordo "enlouquece" e tenta eliminar toda a tripulação. Depois de conseguir sobreviver e desligar o computador, o astronauta entra em uma viagem para dimensões desconhecidas com resultados surpreendentes.


Por que gostar desse filme?


O filme 2001 - Uma Odisséia no Espaço, é um clássico do cinema. Um dos melhores filmes de todos os tempos, de um dos melhores diretores de todos os tempos: Stanley Kubrick. Com algumas das cenas mais antológicas (e conhecidas) da história do cinema, esse filme entra fácil em qualquer lista de melhores de todos os tempos. E com todo o mérito.
Apesar de um filme dito de "ficção científica", ele foge completamente dos clichês do gênero. Não vemos perseguições entre naves espaciais, chuvas de meteoritos, lutas com raio laser, etc. O ritmo do filme é lento, como o lento passar do tempo do Universo, se comparado com o nosso ritmo de tempo. Ele está muito mais preocupado em apresentar diversas questões filosóficas muito interessantes.
O filme apresenta inicialmente um bando de primatas que é rechaçado por outro bando, na disputa por água e que se esconde de seus predadores. Numa manhã, no entanto, tudo muda. O bando é surpreendido pela presença de um misterioso monólito negro, surgido não se sabe de onde. Todos ficam surpresos e com medo, mas um dos componentes do bando tem coragem de tocar o objeto misterioso.
Esse componente descobre o uso do osso como ferramenta de caça e de defesa. O bando agora domina a água, afugenta o outro bando, caça animais maiores e se defende dos seus predadores.
Em uma elipse de tempo, o filme salta para 2001, quando a humanidade viaja pelo espaço, para a Lua normalmente (como uma viagem de turismo pela PanAm, empresa aérea americana muito famosa na época do filme). Por sinal essa elipse temporal é mostrada com uma daquelas cenas antológicas do cinema.
Um cientista está indo à Lua para investigar algo que foi encontrado em uma escavação por lá. Ao chegar, vemos que é um monólito, como aquele dos nossos ancestrais. Descobre-se então que ele envia sinais para o planeta Júpiter e uma missão é enviada para lá.
Durante a viagem, na nave Discovery, a maioria da tripulação é mantida em animação suspensa, exceto dois astronautas (os doutores Dave Bowman e Frank Poole). Toda a nave é controlada pelo produto da última geração de computadores com inteligência artificial: o computador HAL 9000.
Durante a viagem, os astronautas percebem que o computador "falhou" em um diagnóstico de defeito em uma antena. Preocupados pensam em desligá-lo, mas o computador reage e "enlouquece", matando a todos que estão em hibernação e o Dr. Poole.
Ele tenta matar Bowman, deixando-o do lado de fora da nave, mas ele consegue entrar e desligar o computador (outra cena inesquecível).
Como a nave não pode se manter sozinha, Bowman ingressa em um módulo espacial e parte para o espaço, em direção ao desconhecido. Ao que parece uma dimensão diferente da nossa.
Ao chegar ao destino, Bowman se defronta com o que parece um quarto reservado para ele, mas onde a dimensão tempo não tem muito significado. Logo ele se encontra à beira da morte. Nesse momento, novamente o monólito negro está presente e uma nova criatura (com as feições de Bowman) surge: o "bebê estrela". Novamente a aurora, mas de uma "nova humanidade".


Obra de arte na acepção da palavra e filme enigma. Obra aberta a múltiplas interpretações, com inúmeros simbolismos e detalhes escondidos, pistas para a compreensão do enigma. O diretor mesmo afirma que esse filme foi feito para não apresentar conclusões ou explicações, mas sim para que cada pessoa que o assista tenha a sua própria interpretação. E são muitas interpretações diferentes. Um filme para atingir o sub-consciente do espectador.
Um aspecto interessante de ser observado é que a história original (por sinal, filmada) era sobre a ameaça que o planeta Terra estaria sofrendo em 2001. Um cinturão de armas nucleares na órbita do planeta, tensão entre as duas grandes potências (devemos lembrar que o filme foi feito no auge da Guerra Fria) e uma guerra mortal iminente. No final, o homem evolui para uma forma de vida superior e salva o planeta, inspirando a paz nos povos.
Após a filmagem, durante a montagem, Kubrick começou a cortar cenas que achava dispensáveis para a sua concepção do filme (principalmente aquelas contendo diálogos, pois o espaço é silencioso), chegando ao resultado final que vemos. O resultado é espetacular e confirma que o cinema é a arte da montagem.
Algumas interpretações possíveis das questões apresentadas pelo filme poderiam ser como as que apresento abaixo.


Despertar da Humanidade




Uma das questões principais tratadas pelo filme é a evolução do Homem.
No início é apresentada a pré-história e o salto evolutivo que representou o domínio das ferramentas, que permitiram a nossos ancestrais se defender de outros bandos e de animais selvagens e, ao mesmo tempo, caçar animais maiores. Isso levou ao desenvolvimento intelectual.
Em um salto temporal, o Homem agora domina as viagens espaciais e possui tecnologias muito avançadas. Na viagem para Júpiter, novamente o Homem evolui para uma nova forma de vida, algo superior, seremos seres cósmicos, nos desprendemos da Terra.
O filme mostra que em todos os momentos no qual o salto evolutivo acontece, estamos sendo acompanhados pelo misterioso monólito negro, supostamente vindo do espaço.
Seria esse monólito um sentinela, como me parece que era a idéia original da história? Estaria ele apenas aguardando os momentos dos saltos evolutivos para informar alguma inteligência superior? Ou o monólito seria o causador desses saltos evolutivos, aquilo que inspira, ou até mesmo que gera esse salto? Seria o criador? Por que então os sinais para Júpiter?
Isso fica por conta da interpretação pessoal de cada um. Tenho a minha e a apresento mais adiante.


Homem x Máquina


Outra questão fundamental do filme. O Homem criou as ferramentas. Desde o osso de nossos ancestrais, o Homem fez com as ferramentas evoluíssem para máquinas cada vez mais complexas, tornando-nos cada vez mais dependentes dessas nossas criações. No filme, o controle que o computador da nave tem sobre a vida dos tripulantes representa esse conceito de dependência.
O pior é que basta olharmos a nossa volta. O filme é profético e foi feito em 1968 !!!
A evolução das máquinas acontece até o momento em que o Homem tem de se confrontar com a sua própria criação, que não vai aceitar mais o controle dos humanos.
O embate ocorre exatamente na nave que ruma para Júpiter. O computador HAL 9000, a mais avançada máquina com inteligência artificial "erra". Começa a demonstrar sinais de humanidade e não aceita ser desligada por esse motivo.
Mais "humana" do que nunca, ela "enlouquece" e mata quase todos os astronautas. Mas, em uma cena sublime, tem a sua memória desligada e diz ao seu algoz que está com medo! Medo de perder as suas memórias, medo de morrer. E quem não teria?
Pode-se também dizer que a aproximação com Júpiter fez HAL perceber o que estaria para acontecer, afinal de contas ele era o cérebro eletrônico mais evoluído já construído. Sabendo disso, tem uma reação de preservação e tenta impedir que aconteça.
A velha idéia de que as máquinas vão acabar percebendo que somos dispensáveis e que elas podem muito bem viver sem nós. Como em outros filmes, como o Exterminador do Futuro e Matrix.
Mas é importante notar alguns detalhes que podem ser observados durante a missão para Júpiter. Os humanos da nave são frios, calmos, praticamente não mudam a entonação de voz, quase não sorriem. Não demonstram emoções. Estão se tornando como as máquinas que criaram.
Os papéis estão se invertendo e somente a evolução para uma forma de vida superior poderia nos tirar desse destino completamente desumanizado.
É interessante ainda como as máquinas do filme tem uma certa "aparência humana". As naves e módulos de vôo tem formas humanas. O módulo que chega à Lua parece uma cabeça com os olhos brilhantes, o módulo da nave ampara o astronauta morto nos braços e o deixa para o seu descanso no espaço e o "olho" do computador, que tudo vê.
Pode-se até perceber que a nave da missão tem a forma de um espermatozóide indo fecundar o óvulo (planeta Júpiter) para gerar a "nova raça".


Alguma polêmica sempre faz bem


Estendendo um pouco a idéia da evolução e da presença do monólito negro, é possível entender o que é apresentado como uma forma de conciliação entre as teorias da criação do Homem: o Evolucionismo e o Criacionismo da tradição judaico-cristã.
E o elemento conciliador é o próprio monólito negro.
Vamos analisar a partir do ponto onde o filme começa, pois nem me atrevo a tentar encontrar alguma coerência entre isso e a criação do Universo e tudo mais, por exemplo. Então vamos lá.
Os primatas estão no ponto onde estão prontos para realizar o salto evolutivo, mas falta um empurrão para que isso aconteça. Então o monólito negro está lá e dá o empurrão. Ele é o criador, figura perfeita, sem qualquer falha.
Dessa forma, a evolução, dentro do evolucionismo continuaria ser válida, mas aquele pequeno detalhe que determina o salto evolutivo, seria dado com a ajuda do criador (criacionismo).
É um tanto quanto estranho, mas bastante coerente com o que vemos no filme. Alguns poderiam questionar o porque de Júpiter. A pergunta deveria ser: e por que não? "Deus vive na lua de Júpiter", como apresenta a fraca continuação desse filme (2010 - O Ano que Faremos Contato).


Pequenos Grandes Detalhes


Não bastasse essas interpretações possíveis, e todas as outras que são formuladas desde que o filme foi lançado, Kubrick ainda colocou inúmeros simbolismos dentro do filme. Aí vão alguns.


Na foto abaixo, o monólito é apresentado em conjunto com o Sol e com a Lua. Para o Zoroastrismo (antiga religião persa criada por Zaratustra), isso significa o embate entre o bem e o mal. Daí a utilização do tema Assim Falava Zaratustra para o aparecimento do monólito.




O próprio nome do computador é um enigma criado para a época do filme. Se pegarmos a próxima letra do alfabeto, correspondente a cada letra do nome do computador, HAL, teremos .... IBM !!! Pois na época a gigante era o grande símbolo da computação para o mundo.


E se prestarmos atenção existem muito mais.


Não bastasse a qualidade do roteiro, da direção, da fotografia, da música, etc., o cuidado técnico e científico é primoroso também: o som que não se propaga no espaço, a nave que gira para manter a impressão de gravidade, as pessoas que podem ficar em qualquer posição, pois não existe o conceito de "para cima" ou "para baixo" no espaço, os monitores da naves com tela plana (que só viriam a ser realidade há apenas alguns anos atrás), o atraso nas transmissões de longuíssimas distâncias espaciais, etc.
Apesar de tudo isso, é curioso observar também como imaginavam que seria o nosso dia-a-dia em 2001. Nada mais diferente, mesmo assim isso pode ser usado para que possamos perceber o quão errado devem ser as nossas previsões sobre o futuro!
Com certeza um filme para se ver e rever, pois sempre existem os pequenos detalhes que passaram despercebidos. E isso também ajuda a demonstrar porque é um dos maiores filmes de todos os tempos.




Cenas Inesquecíveis


Aqui estão apenas algumas, porque seria muito extensa a lista de todas.

  • Na pré-história o primata utiliza a sua nova "ferramenta", um osso de animal, e depois a atira para o alto. Num efeito de montagem, o osso "se transforma" em outra ferramenta, uma nave no espaço. Da ferramenta pré-histórica para a ferramenta do século XXI, em uma cena antológica, considerada a maior e mais bem bolada elipse temporal da história do cinema. Incrível.
  • O balé das naves espaciais ao som da valsa Danúbio Azul. O movimento lento, tanto das naves, como das pessoas a bordo, é algo inesquecível. São cenas plasticamente belíssimas, além de beirarem a perfeição em termos de Física.
  • Todos os encontros com o monólito negro. As cenas transpiram mistério e suspense, com a música exercendo papel fundamental nisso. Nunca sabemos o que vai acontecer, sempre estamos esperando que algo extraordinário vá acontecer. Não acontece. Ou melhor ainda, acontece algo de muito extraordinário, mas não é necessária nenhuma pirotecnia para mostra isso. Coisa de gênio mesmo.
  • O computador HAL "lendo os lábios" dos astronautas enquanto eles discutem o que fazer com ele.
  • HAL sendo desligado e dizendo que está com medo e que sua mente está indo embora (é uma cena de arrepiar, volte e assista novamente, ela merece). O computador vai "morrendo" lentamente, a "mente" do computador começa a regredir, até que canta uma canção para o seu algoz, como um velho senil! Como conseguir que uma máquina pareça tão "humana" na hora da "morte" !!!
O site abaixo é extremamente interessante. Ele apresenta uma interpretação bastante interessante sobre as questões levantadas pelo filme. É uma animação em Flash muito boa mesmo e vale a pena ser assistida (possui versão em português).


Lord of the Reel